O PREFEITO LAURO MIGLIARI



Foto de autoria de Francisco de Almeida Lopes, por ocasião da visita do Secretário da  Educação do Estado de São Paulo quando da inauguração do novo prédio do IEHS. Lauro está entre o prefeito Antônio Luis Ferreira e o profº Rafael Orsi, diretor do do IEHS



Em 1968, o ourinhense Lauro Migliari, foi eleito prefeito. Na época havia a possibilidade de o partido possuir legendas. A Aliança Renovadora Nacional - ARENA tinha três legendas. Desse modo, a eleição para prefeito, em 1968, foi disputada por dois candidatos arenistas: Lauro Migliari e Aldo Matachana Thomé.
Lauro já tinha experiência parlamentar, tendo sido vereador na quarta legislatura (1960-1963) e  presidente da Câmara Municipal (1960-1961. Seu vice era o engenheiro Mithuo Minami.



Essa foto foi publicada pelo jornal "Tempo de Avanço" logo após a divulgação do resultado das eleições de 1968.




Lauro foi o primeiro ourinhense ser eleito prefeito. Jovem, com boa formação educacional, pertencente a uma das mais antigas famílias da cidade, com experiência parlamentar, tinha tudo para ter realizado uma excelente administração, no entanto vivia o país sob a égide do malfadado Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,  e acabou sendo uma de suas vítimas em 1º de julho de 1969.  
Imagine, caro leitor, o golpe que esse jovem político ourinhense recebeu naquele dia ao saber que havia sido cassado  sem ter conhecimento  do motivo, e o que era pior, sem poder defender-se. Um sonho almejado há muito tempo foi desfeito, por uma medida discricionária do mandatário da presidência da república, o Marechal Costa e Silva, desrespeitando assim a vontade da maioria dos eleitores ourinhenses:

  Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
  Art. 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:    )
        I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;
        II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;
        III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;
        IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
        a) liberdade vigiada;
        b) proibição de freqüentar determinados lugares;

        c) domicílio determinado,
 Art. 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.

Uma leitura dos jornais ourinhenses dos meses que se  seguiram à posse de Lauro, evidencia a potencialidade do governo que ele pretendia desenvolver durante o seu mandato.
Uma de suas grandes preocupações era a educação no município,o que o levou a determinar a construção de uma sala de aula na Vila Brasil, de modo a impedir que as crianças tivessem que se arriscar diariamente ao atravessar a Rodovia Raposo Tavares. Outras medidas foram determinar a construção de um Grupo Escolar na Vila Matilde, a proposta ao Instituto Nacional do Livro de uma biblioteca pública no município, a articulação com as prefeituras vizinhas para a criação de uma faculdade em Ourinhos, a  criação do Conselho Municipal de Educaçãoi, em 1-2-1969, integrado pelo drº Romeu de Paula Lima, profº José Serni, profº Osvaldo Pasqualini e pelo drº Salem Abujamra.
Em abril de 1969, o prefeito Lauro foi recebido em sessão especial na Câmara Municipal, onde fora para prestar conta dos três meses iniciais de seu governo.
Vinte e seis projetos de autoria do executivo tinham sido aprovados pela Câmara Municipal.
Assim, de forma discricionária,   foi encerrada a carreira do jovem político ourinhense, Lauro Migliari.

Comentários

Já morávamos em São Paulo e viajamos para para votar em Lauro Migliari - sua gestão reunia pessoas com qualidades e bons propósitos. Sua cassação teve as impresssões digitais de figuras execráveis da política ourinhense - infelizmente, algumas dessas pessoas depois gozaram e surfaram no vácuo político deixado pela ausência do jovem e vibrante político.Outras permaneceram na sua insignificância pública, pessoal e religiosa !
É o que imagino tenha acontecido. Muitas testemunhas oculares ainda estão vivas. NINGUÉM TEVE CORAGEM DE SE MANIFESTAR. Pretendi com esse artigo recuperar a memória desse jovem político. Muitas gerações nem sabem do acontecido, que tivemos uma vítima do AI5, que também provavelmente desconhecem.
Houve especulações sobre a posse de Lauro:
O Progresso de Ourinhos

​"Muitas indagações sem nexo a respeito da posse do nôvo prefeito, Dr. Lauro Migliari. Nada registra o prefeito eleito em sua vida política, social ou comercial que o impeça de cumprir um mandato que o povo ourinhense lhe conferiu nas urnas. Exemplar pal de família, goza de estima geral em Ourinhos e região."
19-1-1969

Em P o u c a s L i n h a s 16-1-1969

Vai tom ar posse ou não? Não sei. Quem sabe é o Presidente Costa e Silva.